usuário: descubra ou uma poema pós-moderna a partir das machas internéticas descontruídas sóquenão

Sem título
conforme aumenta o ângulo, aumenta a gravidade da queda

usuário: descubra

apresentação
curto uma parada
beijar, abraçar forte e deslizar
a mão pelo corpo
acariciando
esfregar chupar mamar
enfiar língua dedo
na portinha batidas
tirando sentindo
deslizar devagar
deixando pesar
esfregando ouvindo
fazendo aquele barulho

pica pica pica cu pica cabecinha cu saco pentelhos bunda foda

ass.: l., desossada e em pó.

compêndio de astroliteratura, cap. XI: os gêneros astroliterários parte 1

destacada
exemplares
  1. então, convencionou-se utilizar, para fins culturais, educativos e de entretenimento, a classificação lítero-astrológica, que permaneceu válida até meados do século XXII, quando se tornou obsoleta após a extinção dos rudimentares livros de papel.
  2. eis o que prescrevia o anuário bruzundanguense da academia de ficcionistas autônomos (ABAFA), de 2947.
  3. antes de começar o que já começamos, cabe um esclarecimento de primeira ordem: acrescentamos, pois, que são de boa vertente todos os textos do recanto do zodíaco e além, posto que ninguém está aqui pra dizer o contrário.
  4. feito o esclarecimento, continuemos.
  5. nascido sob a égide do cabrito, portanto situada na primeira fileira da arquibancada celestial, é de índole ariana o gênero afoito, às vezes desleixado, às vezes detalhista, muito impulsivo e sem pretensão de terminar bem. neste ramo, são acolhidas manchetes e todas as folhas internas de tabloides (jornais baratos para o povão, segundo alguns, narrativas refinadas, segundo o fortunato) a romances policiais complicadíssimos e povoado de efeitos de suspense banais.
  6. aquele livrão de culinária vistoso, em posição de destaque na vitrina da loja, com uma profusão de páginas recheadas de imagens sedutoras, porém não comestíveis, é tipicamente gênero taurino o livro de receitas, indo dos requintes bechamélicos à generosidade da mortadela e da farofa.
  7.  gênero geminiano autêntico é aquela que tem o maior número de mentiras e, ao mesmo tempo, não contradiz a mentira anterior com a seguinte. garante, portanto, a verossimilhança. tão tinhoso que pode ser tanto um romance histórico quanto a matéria completa na página 7 do suplemento de domingo.
  8. não há registro de telenovela que não seja canceriana. se a novela acaba, começa uma mais maravilhosa e, assim, sucessivamente. se prestar bem atenção, todas são a mesma novela. como um grande melodrama a conta-gotas.
  9. autobiografias são leoninas.
  10. obviamente virginiana, qualquer resenha que se preze precisa tratar de todo assunto de forma isenta e, de preferência, detectando aquilo que mais agrada ou mais detesta, para poder dar uma opinião baseada em critérios objetivos, puros e inquestionáveis.

ass.: m. & l.

como montar um sacolão

uma fiel escrivã desta nossa sacolista ferramenta midiática entrou em estado de nirvana profundo das coisas e decidiu perguntar, pois, do que se tratava este sacolão incorporações.

consideremos as seguintes considerações.

  1. sacolão é, segundo a wikipédia, a plataforma lattes, a mídia e, agora, nós e, dizem, a crítica literária, isso mesmo que você está vendo (ou ouvindo, caso tenha alguma carência visual).
  2. no futuro dum passado não muito distante, tivemos que debater sobre isso. foram levantadas diversas hipóteses, dentre as quais, elegemos a seguinte.

  3. a teoria da legitimação aposta que a legitimidade se dá pelos pares e que este é um ciclo sem fim. daí que um diploma ou congênere garante ao portador ou portadora algumas prerrogativas, como falar do assunto e dizer que faz isso “com propriedade” ou como quem tem o poder de dizer

  4. certo ou errado, neste pedacinho da ação humana que existe para todos mas só é acessado pelos alfabetizados, não estão na pauta.

  5. o sacolão é constituído por pelo menos duas bacharelas em estudos literários. pasmem.

  6. o sacolão não escreve literatura, mas dá conta de suas teorizações ou teoriza suas escritas literárias. eis o paradoxo que nem é.

  7. quando a crítica literária afirma que no sacolão se escreve literatura para embainhar a crítica, ou vice-versa, a crítica estará fazendo crítica literária ou crítica da crítica literária?

  8. o coletivo da crítica literária aceita e aprova que a titulação de bacharela em estudos literários dá a elas o direito de se autointitular críticas literárias. ou não?

  9. quem compõe o coletivo da crítica literária? queira ver o item 3.

  10. faz jus ao título todo aquele que for reconhecido por pares e que ostentar algum diploma que garanta as condições mínimas para exercício daquele ofício, como, para as críticas literárias, ser bacharela em estudos literários.

  11. sendo assim, é possível dizer que este sacolão inc. é um blog de crítica literária?

  12. sim.

  13. ou não.

lina, emissária para assuntos como este aí.

‘cosas que has de saber antes del primer café’ o ‘torta de climão nos ru e a rádio corredor’

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repare na porção de feijão sem caldo nesta bandeja. segundo o sinistro, isso vai acabar!

Dos annaes destas mui honradas crônicas da imperial academia da requiânia, sob augúrios e frenesi da Pítia nos lúgubres vãos das colunas do templo das musas, revelando o grande o que eu quero saber disso universal.

Tem-se servido torta de climão nos restaurantes desta nossa gloriosa instituição. O fenômeno ainda não foi completamente explicado, graças às as condições meteorológicas da Capital. Fato é que a torta está posta. Inúmeras apostas foram veiculadas pela pouco prestigiada mas quase sempre certeira Rádio Corredor (RC), donde surgiram as apostas e algumas pistas, que serve como fiel depositária das apostas, inclusive.

Aposta 1: o Sinistro (menos cotada, valendo 17 de 100). A torta de climão vem sendo servida paulatinamente, com breves incursões no cardápio dos restaurantes, desde que o Sinistro, chefão do cacique universitário, mandou botar mais água no feijão. Com esta aposta, espera-se elucidar um outro caso, o do feijão, a averiguar.

Aposta 2: a Buatchy (razoavelmente cotada, valendo 32 de 100). Estende-se o prazo do servimento da malfadada torta ao fechamento da buatchy universitária, resultado de desdobramentos fatídicos envolvendo, entre outros, o gaiteiro (dispensadas as interpretações jocosas neste trecho do texto). Causou comoção entre a estudantada (e, diz a RC, entre alguns lentes). Isto levou, de quebra, à mudança de sede do dito restaurante, que ficava logo abaixo da buatchy, como bem sabemos nós e registrava a instituição.

Aposta 3: o Dia Nefasto (muito cotada, valendo 51 de 100). Conta-se que o calendário romano previa os dias bons para os negócios do estado (os dias fastos) e os dias maus (nefastos). Eis que esta aposta indica que vem-se servindo torta de climão nos ditos refeitórios de nível superior desde sua fundação, com data imprecisa, podendo ou não coincidir com um dia nefasto. Nunca se sabe…

ass.: val

resumo do manual prático de revitalização para o seu estuprador de estimação

limpeza
pré-operatório (ou pós-, dependendo de métodos, estratégias e táticas envolvidas).

 

para quem não entendeu este texto ou está com preguiça, eis um resumão esperto. requisito mínimo: alfabetização.

siga as instruções.

  1. dê banho;
  2. corte os cabelos e demais excedentes;
  3. passe desodorante;
  4. passe uns textos;
  5. passe uns vídeos;
  6. testemunhe o choro copioso e sem contato visual direto;
  7. emita parecer favorável;
  8. aprove por unanimidade;
  9. defenda seu pet como se ele fosse a sua própria causa.

ass.: lina.

questões éticas e psicológicas envolvidas na produção de versões digitais de seres já mortos

constituiçoa nacional de pindorama
constituiçoa nacional de pindorama

várias. muitas mesmo. mas não me ocorre nenhuma delas neste momento. quem sabe depois de um chá.

ass.: l.

o que está por trás do gran teatro del guayrá

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moro num apartamento (é assim que chamam as caixinhas de concreto empilhadas onde vivem seres humanos) no centro. fica num prédio baixo, quatro andares, contando o térreo. a minha caixinha, especificamente, fica no primeiro andar, são três os lances de escada, um com cinco e dois com nove degraus cada. as supostas janelas do edifício são, na verdade, vitrais, mas a única cor é a que surge do vidro tornado fosco pelos entalhes ou bolhas com uma camada bem visível de sujeira. o sétimo degrau do terceiro lance está com o revestimento, feito de alguma coisa que imita granito, solto, o que me causa espécie a cada saída ou entrada.

o prédio tem uma fachada com aspecto peculiar às edificações de meados do século XX, o que orna com a predominância de fachadas do mesmo naipe no centro. o endereço faz referência a um rio, o segundo maior, depois do iguaçu, que também começa e termina em terras da província del guayrá.

o nome do rio deriva do idioma indígena. o naturalista francês auguste de saint-hilaire aponta em seu livro sobre sua viagem ao sul de pindorama que o termo seria traduzido como “feitoria de machado” (tiba = “feitoria”, e ji = “machado”); entretanto, como descrito pelo pesquisador edmundo alberto mercer o termo significaria “muitas cachoeiras” (repartido igual o anterior).

é o segundo rio em extensão na província. suas nascentes estão na serra das almas a mil e cem metros acima do nível do mar, entre as sesmarias da região conhecida como campos gerais, unidade fisiográfica identificada como segundo planalto. o curso do rio percorre a província de sul para norte, atravessando o segundo e o terceiro planalto, até sua foz, na margem esquerda do rio sujo, na divisa das províncias de guayrá e piratininga. a bacia do rio se estende por quarenta e uma sesmarias, cobrindo 25.239 km² no território del guayrá.

neste endereço, o outro rio, chamado belém, passou por dois trajetos. o primeiro, antes da canalização, era atrás do terreno, cortando pelo meio da rua e avante, até chegar no que hoje é a rodoferroviária. quando foi canalizado, escolheram esta rua onde resido, que dá nome a um rio, para sediar o canal por onde o belém escorreria em linha reta sob as calhas e a rua até retornar à luz, depois da usina de energia.

meu apartamento fica logo acima de um restaurante dirigido por uma família chinesa. a janela do meu quarto fica logo acima da cozinha do restaurante. hoje, por exemplo, cheguei em casa às 20h, sendo que o aroma mais significativo sentido foi o de óleo quente. mas não qualquer óleo, um óleo bastante usado.

no momento em que sinto este cheiro, um grupo relativamente grande de pessoas segue em bando aos brados de alguma cantiga que os identifica como grupo. como não vi, ouvi, apenas posso supor. hoje, quarta, há um jogo de futebol.

interessante é que, embora eu tenha pouquíssimo apego por esportes, os marcos espaciais desta prática humana não passam desapercebidos. o rio, que passa sob a rua que tem nome de rio, na qual eu resido, passa ao lado de um estádio, depois de ter passado ao lado da estação. o grupo que ouvi, entretanto, parecia estar se locomovendo pela cidade na direção oposta, onde, inclusive, após leve ladeira, se encontra, encrustado no morrinho chamado de alto, um outro estádio. nada disso viria ao caso não fosse o incômodo gerado pela algazarra que, não fosse inteligível pelo reconhecimento de algumas palavras, bem poderia ser confundida com o escape de uma manada.

ass.: lina